13 de mar de 2008

Tempestade em Natal

Berros sacodem as janelas do meu quarto, antecipando o despertador. Tempestade em Natal. Entreabro as cortinas. Meu azul fez-se branco e bravo, e chora violento, espargindo angústias sobre telhados e vidros. Buscar Apolo é uma impossibilidade tão grande, que imediatamente recolho olhos e desejo e volto a buscar as cobertas para esconder minha solidão.

Talvez a cidade brinde essas águas. A sede do sertão será aliviada. O calor deixará de ter a força aguda que franze as testas. As flores das avenidas certamente estarão viçosas amanhã ou depois, quando a chuva se for. E o curso da vida seguirá nos espelhos d’água que ainda ficarão nas avenidas.

Mas eu contarei no relógio o tempo que me separará de Apolo. Ele é o único que sabe derramar luz em mim.

13/03/2008

Um comentário:

Patricia disse...

Lindo, lindo, lindo! Como não poderia ser, vindo de tão maravilhosa fonte?