23 de jan de 2008

Abertura do canto I do livro Musa Carmesim

Parto não porque queira
ou porque seja mais sensato
parto porque é outono e eu sou a folha
que lentamente derrama na estrada o seu fim.

Parto não porque possa
nem porque deva
nem porque esqueça.
Parto porque é dia e eu sou a luz
da última estrela.

Quem sabe parta porque só assim
possa renascer em mim outro ser.
Quem sabe parta porque ter um fim
é destino certo de toda viagem.

Mas a despedida
atenho adiada
e calada fico
vendo-me partir.
Morro como o sol no horizonte da lembrança
folha que o vento leva em sua andança
e que nenhuma primavera
traz de volta ao amanhecer.

(Musa Carmesim. Campos do Jordão: Vertente, 1998)

4 comentários:

ESPÍRITU disse...

Encontra dos teus gestos as palavras da tua vida...)
Comenta o meu blog:)

Kometendo poesias disse...

Chris ,pode ter certeza que será um prazer tê-la como amiga...Teus poemas são macios/poesias desossadas!!!Gostaria da sua colaboração na seleção de meus poemas p/ posterior publicação.Vc pode postar comentários naquele(s)que acha interessante(s).Sua opinião será importante....um beijo no coração.

Filipe disse...

Sou completamente apaixonado por esse poema...Peça do mais alto lirismo que conheço. Lindo, lindo.
=)

Naide disse...

AAAAAiiiiiiiiii que coisa MARRRR LINDAA!!!!!! Quero ler todinhoooo...Bjosss profa linda!!!!